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Como é o que ainda está por vir
“Primeiro eu tenho que solidificar a imagem da Badi aqui no Brasil,
porque em termos de discografia este é meu quinto disco, mas seria
o primeiro por aqui. Eu estou estudando ainda se é ele mesmo ou
se eu guardo para um melhor momento”.
Enquanto isso, Badi revela as participações novo trabalho
como o baixista Matt Chamberlain (que toca com a Fiona Apple; Macy Gray
e Tori Amos), além do contrabaixista Tony Franklin - que integrou
a primeira formação da banda de Jimmy Page, depois do Led
Zeppelin.
Dos brasileiros temos, além do Duo Assad (os irmãos Sérgio
e Odair Assad), presença de Lenine, cantando com ela em Enlace,
Marcus Suzano, Carlos Malta, e a percussionista Simone Soul, que também
compõe com Badi e Jeff a faixa Cidade do Sol e ainda Siba em solo
de rabeca para duas faixas.
Badi, considerada a one woman band no exterior,
começa aqui no Brasil a dividir o palco com a cantora Simone Soul,
que traz algo de popular e de mais acessibilidade para o público
brasileiro.
“Meu trabalho é bacana porque pode agradar da criança
ao idoso. No show que fiz recentemente no Sesi (São Paulo) reconheci
alguns fãs que realmente costumam acompanhar meu trabalho e um
público variado, entre os 70 e 18 anos”. Ela credita a façanha
ao repertório abrangente de shows, que incluem de Chico César
a Chico Buarque. Deste último Badi relembra que foi num musical
de autoria do compositor que estreou como cantora há 10 anos. Antes
disso era uma carreira só instrumental, que é a minha primeira
formação”, lembra.
Toquinho
no caminho
Depois de um ano conhecendo o trabalho de Badi, o compositor e cantor
Toquinho rendeu-se a uma parceria com a cantora e no final deste ano está
prevista uma turnê conjunta para a Itália. A cantora também
participou, em julho deste ano, de show do compositor no Directv Music
Hall, onde apresentou duas músicas solo.
“Toquinho foi convidado para um evento onde eu me apresentei, foi
conhecendo meu trabalho e agora me escolheu para dividir o palco. Aliás
isso é novo para mim, de ser convidado para cantar, porque sempre
tive que carregar meu violão e agora estou viajando sem nada, estou
abraçando da forma que vêm os convites e estou adoram ser
violonista e cantora”, explica Badi, que gravou 3 faixas do cd Mundano
de Carlinhos Antunes ainda em julho deste ano.

Acabou
de gravar o albúm Three Guitars, com dois guitarristas
americanos : Larry Coryell : um dos pioneiros do jazz-rock, tocou no 1o.
Festival de Jazz de SP e John Abercrombie que estudou música em
Boston, na Berklee College de 1962 a 1966. Tocou em diversos duos ou trios,
como no Billy Cobham Group, ou ao lado de Chico Hamilton, até formar
o John Abercrombie Trio. “São dois ícones da música
instrumental na área de violão e jazz e eu fui convidada
para tocar o terceiro violão dessa história. Disse que aceitava
desde que pudesse me expressar da forma que viesse, queria introduzir
também canto, usando a voz como instrumento. Vamos provavelmente
viajar com este trabalho pelos Estados Unidos”.
Tudo ao mesmo tempo agora
“A fase de pesquisa aconteceu muito enquanto eu gravava o Nowhere,
através da Simone Soul, que é uma espécie de biblioteca
ambulante, eu ouvi muita coisa durante a elaboração desse
trabalho. Como resultado saíram composições como
Infi8 (que assim como Entrelace também faz uma alusão ao
Maracatu), a Simone trouxe muitos dos ritmos brasileiros para Cidade do
sol e o Jeff e eu sempre abertos, ele incluindo um ar de flamenco ao Nowhere,
através da técnica”, condensa.
Mas Badi nunca pára num estilo só, também ouviu muita
música norte-americana, hip hop e beat, hoje começou a estudar
uma peça para três violões para o show que fará
com toda a família Assad.
“Vamos excursionar pelos Estados Unidos em abril do ano que vem,
eu, meu pai, irmãos e meus sobrinhos, seremos sete no palco e o
trio Assad finalmente vai acontecer”. Ainda sobre a família,
Badi fala do curta metragem (que já ganhou já dois prêmios)
e que pode virar um longa, contando a história dos Assad em parceria
com o diretor Joel Pizzini (além dos cineastas Abílio Pereira
de Almeida e Kiko Mollica), “ o curta é só musical,
mas no longa minha intenção é dividir a história,
mostrar a herança deixada pelos meus pais, afinal eles batalharam
muito para eu e meus irmãos sermos músicos.
Infância,
hoje e o futuro
“Acho que música brasileira não existia na minha infância
e adolescência. Era aquilo de ouvir John Travolta e ponto, era o
que eu ouvia. Claro que na minha casa tinha o chorinho do meu pai, minha
mãe cantando seresta, meus irmãos estudando música
erudita, mas não que existisse algo no mercado mesmo ou na sociedade”.
E hoje? Bem hoje Badi acredita que o mercado fonográfico brasileiro
está vivendo um limbo, “ as pessoas ouvem e daqui a pouco
já estão cantando pela repetição, além
dessa história da pirataria no Brasil, estamos num limbo; só
que a criatividade não pára, os artistas estão trabalhando,
afinal o Brasil demorou mais ou menos uns 20 anos para descobrir Lenine,
Chico César, e eu também já estou sendo ainda descoberta
aqui”.
Dificuldades e mercado em crise à parte, Badi afirma que muitos
artistas estão fazendo seu trabalho por amor, pelo coração.
Ela cita Lenine, Rita Ribeiro, Ceumar, que atuam de forma despretensiosa,
além de Elza Soares, um bom exemplo de que é possível
se modernizar sem perder a essência.
Badi lança idéias de projetos para levar boa música
ao público, “seria interessante que as universidades brasileiras
mostrassem para o jovem que ele vai crescer junto com o artista, com essa
história que é cantada e contada pelo profissional, vejo
por exemplo o Yamandú Costa, com um grande talento e que está
chegando até o público mais jovem com música de qualidade”,
anima-se e ao mesmo tempo sentencia a cantora: “ Por enquanto ainda
não temos os clones de artistas, então a marca pessoal de
um bom trabalho continua valendo”.
A cantora sabe que tem seu espaço, conquistado com muito trabalho,
aqui e fora do Brasil e que assimilação de sua música
é questão de tempo, “ tudo tem seu tempo”.
Ouça aqui a faixa [Ponta
de Areia]
Matéria
e edição por Fabíola Mello [staff do Jornalismo brmusicguide]
Design e ilustração [Corredor X]
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