bADI ASSAd

 

Nowhere é fruto de uma herança, é uma produção independente. Não tem data definida de lançamento, nem aqui e nem lá fora.
Está formatado, concebido, prontinho, mas por enquanto só pode ser ouvido ou entendido nas palavras de sua cantora Badi Assad e em seu site (www.nowhereland.ws) ou aqui, na entrevista em que a artista conta quem vai estar neste quinto cd, seus planos para o Brasil, família, projetos e o mercado musical nacional.

“Tenho quatro cds antes deste, sendo que o quarto foi gravado, lançado e distribuído pela então Polygram americana, em 98, quando a gravadora foi comprada pela Universal, então eu e o Jeff (Jeff Young - ex guitarrista da banda Megadeath) decidimos fazer algo independente, sem interferências. O Jeff recebeu uma herança e resolveu investir tudo neste disco”.
  


Como é o que ainda está por vir

“Primeiro eu tenho que solidificar a imagem da Badi aqui no Brasil, porque em termos de discografia este é meu quinto disco, mas seria o primeiro por aqui. Eu estou estudando ainda se é ele mesmo ou se eu guardo para um melhor momento”.

Enquanto isso, Badi revela as participações novo trabalho como o baixista Matt Chamberlain (que toca com a Fiona Apple; Macy Gray e Tori Amos), além do contrabaixista Tony Franklin - que integrou a primeira formação da banda de Jimmy Page, depois do Led Zeppelin.
Dos brasileiros temos, além do Duo Assad (os irmãos Sérgio e Odair Assad), presença de Lenine, cantando com ela em Enlace, Marcus Suzano, Carlos Malta, e a percussionista Simone Soul, que também compõe com Badi e Jeff a faixa Cidade do Sol e ainda Siba em solo de rabeca para duas faixas.

Badi, considerada a one woman band no exterior, começa aqui no Brasil a dividir o palco com a cantora Simone Soul, que traz algo de popular e de mais acessibilidade para o público brasileiro.
“Meu trabalho é bacana porque pode agradar da criança ao idoso. No show que fiz recentemente no Sesi (São Paulo) reconheci alguns fãs que realmente costumam acompanhar meu trabalho e um público variado, entre os 70 e 18 anos”. Ela credita a façanha ao repertório abrangente de shows, que incluem de Chico César a Chico Buarque. Deste último Badi relembra que foi num musical de autoria do compositor que estreou como cantora há 10 anos. Antes disso era uma carreira só instrumental, que é a minha primeira formação”, lembra.

Toquinho no caminho
Depois de um ano conhecendo o trabalho de Badi, o compositor e cantor Toquinho rendeu-se a uma parceria com a cantora e no final deste ano está prevista uma turnê conjunta para a Itália. A cantora também participou, em julho deste ano, de show do compositor no Directv Music Hall, onde apresentou duas músicas solo.

“Toquinho foi convidado para um evento onde eu me apresentei, foi conhecendo meu trabalho e agora me escolheu para dividir o palco. Aliás isso é novo para mim, de ser convidado para cantar, porque sempre tive que carregar meu violão e agora estou viajando sem nada, estou abraçando da forma que vêm os convites e estou adoram ser violonista e cantora”, explica Badi, que gravou 3 faixas do cd Mundano de Carlinhos Antunes ainda em julho deste ano.

Acabou de gravar o albúm Three Guitars, com dois guitarristas americanos : Larry Coryell : um dos pioneiros do jazz-rock, tocou no 1o. Festival de Jazz de SP e John Abercrombie que estudou música em Boston, na Berklee College de 1962 a 1966. Tocou em diversos duos ou trios, como no Billy Cobham Group, ou ao lado de Chico Hamilton, até formar o John Abercrombie Trio. “São dois ícones da música instrumental na área de violão e jazz e eu fui convidada para tocar o terceiro violão dessa história. Disse que aceitava desde que pudesse me expressar da forma que viesse, queria introduzir também canto, usando a voz como instrumento. Vamos provavelmente viajar com este trabalho pelos Estados Unidos”.

Tudo ao mesmo tempo agora
“A fase de pesquisa aconteceu muito enquanto eu gravava o Nowhere, através da Simone Soul, que é uma espécie de biblioteca ambulante, eu ouvi muita coisa durante a elaboração desse trabalho. Como resultado saíram composições como Infi8 (que assim como Entrelace também faz uma alusão ao Maracatu), a Simone trouxe muitos dos ritmos brasileiros para Cidade do sol e o Jeff e eu sempre abertos, ele incluindo um ar de flamenco ao Nowhere, através da técnica”, condensa.
Mas Badi nunca pára num estilo só, também ouviu muita música norte-americana, hip hop e beat, hoje começou a estudar uma peça para três violões para o show que fará com toda a família Assad.

“Vamos excursionar pelos Estados Unidos em abril do ano que vem, eu, meu pai, irmãos e meus sobrinhos, seremos sete no palco e o trio Assad finalmente vai acontecer”. Ainda sobre a família, Badi fala do curta metragem (que já ganhou já dois prêmios) e que pode virar um longa, contando a história dos Assad em parceria com o diretor Joel Pizzini (além dos cineastas Abílio Pereira de Almeida e Kiko Mollica), “ o curta é só musical, mas no longa minha intenção é dividir a história, mostrar a herança deixada pelos meus pais, afinal eles batalharam muito para eu e meus irmãos sermos músicos.

Infância, hoje e o futuro
“Acho que música brasileira não existia na minha infância e adolescência. Era aquilo de ouvir John Travolta e ponto, era o que eu ouvia. Claro que na minha casa tinha o chorinho do meu pai, minha mãe cantando seresta, meus irmãos estudando música erudita, mas não que existisse algo no mercado mesmo ou na sociedade”.

E hoje? Bem hoje Badi acredita que o mercado fonográfico brasileiro está vivendo um limbo, “ as pessoas ouvem e daqui a pouco já estão cantando pela repetição, além dessa história da pirataria no Brasil, estamos num limbo; só que a criatividade não pára, os artistas estão trabalhando, afinal o Brasil demorou mais ou menos uns 20 anos para descobrir Lenine, Chico César, e eu também já estou sendo ainda descoberta aqui”.

Dificuldades e mercado em crise à parte, Badi afirma que muitos artistas estão fazendo seu trabalho por amor, pelo coração. Ela cita Lenine, Rita Ribeiro, Ceumar, que atuam de forma despretensiosa, além de Elza Soares, um bom exemplo de que é possível se modernizar sem perder a essência.

Badi lança idéias de projetos para levar boa música ao público, “seria interessante que as universidades brasileiras mostrassem para o jovem que ele vai crescer junto com o artista, com essa história que é cantada e contada pelo profissional, vejo por exemplo o Yamandú Costa, com um grande talento e que está chegando até o público mais jovem com música de qualidade”, anima-se e ao mesmo tempo sentencia a cantora: “ Por enquanto ainda não temos os clones de artistas, então a marca pessoal de um bom trabalho continua valendo”.

A cantora sabe que tem seu espaço, conquistado com muito trabalho, aqui e fora do Brasil e que assimilação de sua música é questão de tempo, “ tudo tem seu tempo”.

Ouça aqui a faixa [Ponta de Areia]

Matéria e edição por Fabíola Mello [staff do Jornalismo brmusicguide]
Design e ilustração [Corredor X]
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