Marcelo Quintanilha

Sempre tem um público,
sempre tem um espaço para o artista que escreve bem e fala de temas universais, como o amor, por exemplo. Melhor ainda ouvir a canção numa sala de estar, entre amigos. Foi este “espaço musical” que o cantor e compositor Marcelo Quintanilha, idealizou para seu terceiro trabalho - “Sala de estar”.

Com um som entre a bossa nova, anos 60 retrô, toda a agitação do também publicitário Quinta vira música suave, de voz calma e letras que jogam com os sons das palavras.

Em busca de uma sonoridade própria, através das mãos do produtor Maurício Talhari e de seus arranjos, Marcelo concorda que tenha esse pé nos anos 60, com cara de bossa nova e tropicalismo e que toda essa musicalidade fica mais evidente na escolha dos instrumentos que entraram no cd: baixo/acústico; órgão, rhodes, violão de nylon e guitarra.

 
 


:::::::::::::::::::::::::Como surgiu o “Sala de Estar”
“Há 2 anos atrás estava numa temporada quando chamei um amigo no palco, aí pensei que seria tão bom se outros viessem também, às vezes me canso de cantar sozinho, a sala de estar é isso, a reunião, a companhia de outros artistas”.

De temperamento agitado, o compositor fala do publicitário: “gosto da pressão para escrever, é quando o lado publicitário ajuda o músico a criar. Mas como sou muito místico eu sinto que quando escrevo não estou sozinho. Eu me pego surpreso muitas vezes com o resultado de uma letra, fico pensando.... eu escrevi isso???” conta, explicando “é como se existisse alguém além de mim na hora de compor”.

Seja lá quem for, gosta de boa letra, de falar de amor e tem uma dose de bom humor, como na faixa Depois de amanhã, na qual Quinta anuncia uma lista de coisas a serem feitas antes de morrer, de tocar na bateria a botar o sono em dia, este último ainda não alcançado, “mas já fiz serenata sim”.
Nessa “sala de estar” tem um pouco de tudo: samba; canção, ijexá ( lembrando os blocos carnavalescos de Salvador), Quinta resume: “meu trabalho é música brasileira com influência de música brasileira”


Para quem espera minha música::::::::::::::::::
“ Quero chegar até as pessoas que ainda não conhecem minha música e estão esperando por ela”, brinca o compositor dizendo que este processo pode acontecer pela educação, pelo maior acesso à cultura e à música. “Admiro muitos meus professores de música que foram me mostrando os caminhos certos para a harmonia da minha voz”.

Admirador de Chico César; Carlinhos Brown e das poesias de Arnaldo Antunes, Marcelo cita como um dos expoentes ainda desconhecidos que admira o cantor Alexandre Leão, que atuou ao lado de Rosa Passos, “também o Carlos Careqa que é um dos convidados do meu show e, é claro, o Gilberto Gil que é minha referência musical”. claro, o Gilberto Gil que é minha referência musical”.

 
 


:::::::::::::::::::::::::::::::::::Por dentro da sala
Faz parte do amor - é totalmente bossa e conta com as boas intervenções da clarineta de Luca Raele;

Estrela - os samplers dão um ar de trilha sonora nesta canção, é uma espécie de cantar da sina do artista.

Construção - com beats do produtor Maurício Tagliari, essa versão não pretendia mudar a construção de Chico, é uma homenagem mesmo, com ritmo que mantém a dramaticidade da letra original e uma sonoridade que cresce em espiral, bem anos 60.

Da segunda vez que te vi - “ é quase um bolero, tem um toque muito forte latino”;

Pai Jorge, Pai João - Quinta faz um pedido: “ ...curativa luz, corta o coração mais frio contamina de sons e cores”;

Oba Kôso - com um coro de crianças ao fundo, “um dia serei o que meu santo quer” e no finalzinho um ar de Gilberto Gil;

Depois de amanhã - assobiando feliz da vida, o compositor afirma que há muito para ser feito;

Quando eu estava só - música que enviou para a esposa, a cantora Vânia Abreu. Uma letra que casa bem com a voz feminina e o piano de Luca Raele,

Sala de estar (ouça aqui esta bela faixa) - “na minha sala de estar não preciso ser ninguém”, afinal temos o cavaquinho de Maurício Tagliari, que dá o tom descontração pra sala e a brincadeira de sentidos com os verbos sou/estou - “o lindo da Língua Portuguesa é isso, de cada palavra ter um sentido e do artista poder usufruir disso”.

Onde ouvir::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
No Supremo Musical, em agosto, o compositor vem acompanhado de seus três músicos, mas no Blen Blen ele pode ser visto toda terça-feira entre seus convidados.

Matéria e edição por Fabíola Mello [staff do Jornalismo brmusicguide]
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